Entretenimento
Andaraí fecha os desfiles ao amanhecer e transforma memória em emoção na avenida
O Sambão do Povo viveu seus últimos acordes da noite — já com o céu clareando — ao receber a Andaraí, última escola a desfilar no Carnaval 2026. Com o dia quase amanhecendo, a agremiação entrou na avenida para contar a própria história e encerrou a programação com um desfile carregado de simbolismo, pertencimento e emoção coletiva.
Fundada em 1º de dezembro de 1946, a Andaraí levou para a passarela o enredo “01/12/1946”, uma travessia poética que transformou sua trajetória em narrativa artística. Sob a presidência de Thiago Bandeira e com criação do carnavalesco Alex Santiago, a escola apostou em um desfile que conectou céu e terra, mito e realidade, ancestralidade e vida comunitária, celebrando quase oito décadas de resistência cultural.
A apresentação teve início com a evocação de um nascimento cósmico, em que signos, astros e entidades ancestrais simbolizaram a proteção espiritual da escola. Ao longo do percurso, a narrativa se ancorou no território do Mulembá, atual bairro de Santa Martha, exaltando o futebol de várzea, a batucada, a fé popular e o batismo verde e rosa como fundamentos da identidade andaraiense.
Entre quem desfilava, o sentimento era de arrepio. Ingrid Cardoso, que está na escola há mais de quatro anos, falou da relação afetiva com a agremiação. “A Andaraí não é o meu pavilhão de origem, mas é o meu pavilhão de coração. É uma escola que me abraçou e que me dá uma emoção gigante. A expectativa é surreal, dá gelo na barriga. Quem está aqui dentro vivendo isso sente o quanto é especial.”
A experiência acumulada no carnaval também esteve presente na avenida. Mestre Jorginho, 73 anos, com 44 anos dedicados ao samba, acompanhou de perto mais um desfile da escola. “Carnaval não é dinheiro, é voluntariado, é comunidade. A maioria das pessoas que está aqui faz por amor. Ver essa escola desfilar, ver a bateria formada por gente da comunidade, é muito gratificante. Isso é cultura viva.”
O desfile também foi marcado por histórias pessoais de recomeço. Marcos Vinícius Duarte, 41 anos, celebrou o retorno à avenida após cinco anos afastado. “Voltar ao carnaval agora é um marco na minha vida. Vivi muitas coisas, fechei ciclos importantes e sinto que esse desfile abre um novo. Estou muito feliz por a Andaraí me dar essa oportunidade.”
A confiança no espetáculo vinha do trabalho coletivo. Renata Pacheco, 29 anos, destacou a preparação ao longo do ano. “A expectativa é muito grande. Ensaiamos por muito tempo, a comissão de frente está super alinhada, tudo muito bem pensado. A gente quer entregar um desfile bonito e, ao mesmo tempo, se divertir na avenida.”
Para Eduardo Nascimento, 36 anos, a Andaraí simboliza a essência do carnaval capixaba. “Fechar o carnaval com a Andaraí é fechar com chave de ouro. É escola de comunidade, pé no chão, que faz carnaval com verdade. Agora é ir pra cima.”
A emoção também alcançou quem acompanhava do alto. No camarote, a arquiteta Fernanda Lopes, 39 anos, observava o desfile já sob a luz da manhã. “Foi lindo ver a Andaraí entrando com o dia clareando. O enredo é sensível, profundo, dá vontade de ouvir a história com calma. Encerrar o carnaval assim é muito simbólico.”
Ao lado dela, o empresário Rafael Monteiro, 47 anos, destacou o impacto da apresentação final. “A gente já está cansado depois de tantas escolas, mas a Andaraí conseguiu renovar a energia. Foi um desfile verdadeiro, de comunidade, que fez todo mundo ficar até o fim.”
Ao levar à avenida suas conquistas, silêncios e renascimentos, dialogando com a cultura afro-brasileira, a espiritualidade e a resistência popular, a Andaraí reafirmou o carnaval como espaço de educação, preservação cultural e afirmação social. No amanhecer do Sambão do Povo, a escola não apenas encerrou os desfiles: transformou sua própria história em legado vivo, coletivo e profundamente enraizado no povo capixaba.
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Clássico ‘A Metamorfose’ com adaptação capixaba será exibido em Vitória
Uma das obras mais emblemáticas da literatura mundial, escrita por Franz Kafka, ganha uma releitura contemporânea ambientada no Espírito Santo. A adaptação capixaba de A Metamorfose, dirigida por Enzo Rodrigues, terá nova exibição no dia 24 de abril, no Cine Jardins, em Jardim da Penha.
O longa-metragem, quinto da carreira do diretor, já teve uma primeira sessão em março, que registrou lotação máxima. Agora, retorna ao público com a proposta de ampliar o acesso à produção independente local. Veja o trailer:
Realizado pela produtora Utopia Filmes, o projeto contou com apoio da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da Prefeitura da Serra. A narrativa acompanha Gregório, um representante comercial que vê sua vida desmoronar após se transformar misteriosamente em um inseto. A partir daí, suas relações entram em colapso, enquanto ele enfrenta um intenso conflito interno para manter sua humanidade.
Segundo o diretor, o desafio foi transportar a essência da obra original para um novo contexto. “Foi um grande desafio adaptar um livro tão significativo. Buscamos destacar ideias que eram pertinentes no tempo de Kafka, mas que também dialogam com a realidade atual”, afirma Enzo Rodrigues.
O ator Daniel Bones, que interpreta o protagonista, destaca a complexidade do papel. “É um personagem consagrado, o que exige muito estudo. É um texto denso, exigente, mas ao mesmo tempo empolgante”, comenta.
Além das exibições locais, o filme também deve circular por festivais e mostras no Brasil e no exterior, ampliando seu alcance e dialogando com diferentes públicos.
Serviço – A Metamorfose
Direção: Enzo Rodrigues
Classificação indicativa: 14 anos
Data: 24 de abril
Horário: 20h30
Local: Cine Jardins (Jardim da Penha, Vitória)
Ingressos: à venda pelo Sympla
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Espetáculo de dança “Bom Sujeito” leva ao palco do Sesc Glória a fusão entre samba e flamenco
O Centro Cultural Sesc Glória, por meio do projeto Cena Local, recebe o espetáculo de dança “Bom Sujeito”, solo da bailarina Ivna Messina. O público poderá conferir a apresentação nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro, às 19h30, no Teatro Virgínia Tamanini.
Fruto de uma pesquisa que aproxima o flamenco do samba, “Bom Sujeito” estreou em 2016 como parte do projeto “Isso não é flamenco” e reafirma o olhar de Ivna Messina sobre as fronteiras entre linguagens dos países Espanha e Brasil.
Com direção de Fernando Marques e trilha sonora original de Letícia Malvares e Roberto Monteiro, o espetáculo convida o público a entrar em um território onde samba e flamenco se sobrepõem, dialogam e se reinventam em cena.
Em cena, a artista explora uma fusão de ritmos, musicalidades e expressões corporais para revelar afinidades e apresentar as tradições culturais dos países.
Cena Local
O projeto do Sesc Cultura oferece espaço para grupos locais se apresentarem nos teatros do Sesc Glória, seja em sessão única no Teatro Glória ou em minitemporada no Teatro Virgínia Tamanini. O objetivo é impulsionar o amadurecimento dos espetáculos e proporcionar ao público experiências cênicas de qualidade com artistas e grupos capixabas.
Serviço: Cena Local | Espetáculo” Bom Sujeito”
Categoria: Dança
Data: 26, 27 e 28 de fevereiro de 2026
Hora: 19h30
Local: Teatro Virginia Tamanini – Centro Cultural Sesc Glória
Duração: 40 min
Classificação: Livre
Capacidade: 60 lugares
Ingressos
Valores: R$20,00 (Inteira) | R$10,00 (comerciário/meia/meia solidária) | R$13,00 (conveniado) | R$15,00 (comerciante)
Meia solidária
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Exposição reunirá obras de 36 artistas capixabas e nacionais no MAES
Parte de um acervo de arte particular estará disponível para o grande público entre a próxima terça-feira (24) e 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). É a mostra “Arte em todos os sentidos”, que vai reunir obras contemporâneas de 36 artistas capixabas e nacionais.
Com um olhar direcionado à contemporaneidade, o diretor do MAES, Nicolas Soares, fez a curadoria da exposição e selecionou 41 pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas entre as obras que integram o acervo do colecionador de arte Ronaldo Domingues de Almeida.
“Nunca planejei formar um acervo. Queria apenas conviver com a arte no cotidiano. A coleção cresceu de forma espontânea, movida pelo interesse estético e pela experiência proporcionada por cada obra. Com o tempo, fiquei me perguntando qual o sentido de manter tantas obras restritas a poucos”, descreve o colecionador e curador adjunto da mostra.
A exposição permitirá que os visitantes apreciem criações de artistas nacionais que nunca ou raríssimas vezes expuseram em Vitória.
“Quanto aos artistas capixabas escolhidos, na impossibilidade de apresentar a totalidade, o curador selecionou nomes representativos de períodos diversos, buscando obras cujas temáticas fogem daquelas pelas quais habitualmente são reconhecidos”, completa a jornalista Adriana Machado, coordenadora do projeto e produtora executiva da exposição.
O nome “Arte em todos os sentidos” é uma referência a um detalhe de uma obra do artista Paulo Bruscky, uma arte postal, cujo título é “Hoje a Arte é este Comunicado”. A peça faz parte do acervo e a escolha do título dialoga com o projeto.
A mostra integra o projeto Acervo RDA – Preservação e Difusão do Acervo Ronaldo Domingues de Almeida na Midiateca Capixaba, cujo objetivo é contribuir para a democratização do acesso à arte e salvaguardar a memória do patrimônio artístico capixaba, em especial.
O projeto foi aprovado no Edital nº 18, lançado pela Secretaria da Cultura (Secultes) em 2024, e foi contemplado com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espirito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MINC).

Acervo RDA
A mostra é uma das ações formativas integradas ao projeto Acervo RDA, que está em execução. Obras do acervo estão sendo catalogadas e digitalizadas para inserção na plataforma online do Governo do Estado, Midiateca Capixaba.
A realização da exposição no MAES se deve ao convite feito pela instituição, por reconhecer a relevância do projeto tanto em relação à preservação da memória dessas obras quanto pelo propósito de buscar a democratização do acesso à arte.
“Foi dessa reflexão que nasceu o desejo de compartilhar. A digitalização e a inserção do acervo na Midiateca Capixaba transformam o que era privado em acesso público, ampliando a experiência da arte e sua função social. E, agora, estamos levando parte desse acervo fisicamente durante a exposição”, acrescenta Adriana Machado.
O acervo conta com centenas de obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas, de aproximadamente 100 artistas modernos e contemporâneos, renomados e emergentes, sendo a maioria capixaba. Entre esses, os acadêmicos Homero Massena, Levino Fânzeres e Álvaro Conde, e também artistas contemporâneos como Hilal Sami Hilal, Andreia Falqueto, Júlio Tigre, Sandro Novaes, Claudia Colares, Orlando de Faria Rosa, o Lando, Didico e Rick Rodrigues. Entre os artistas de outros estados e países: Amilcar de Castro, Tomie Ohtake, Cildo Meireles, Prozak e Alex Vallauri (grafites), Sante Scaldaferri e Antônio Poteiro.
O colecionador
Ronaldo Domingues de Almeida é juiz. Ele iniciou sua relação com a arte no ambiente político-cultural da Universidade Federal do Espírito Santos (Ufes), nos anos 1980. Começou a colecionar obras por prazer, mas, com o tempo, aprofundou seu interesse, formou-se em Artes Plásticas e passou a reunir um acervo expressivo de arte moderna e contemporânea, especialmente capixaba.
Sua casa se transformou em galeria viva, e hoje ele reconhece o valor público da coleção e busca sua difusão por meio da Midiateca Capixaba. Almeida adquire as obras para seu acervo muitas vezes diretamente com o próprio artista, principalmente os radicados no Estado. Também compra em galerias de arte ou por meio de leilões.
CONFIRA OS ARTISTAS COM OBRAS EM EXPOSIÇÃO:
ÁLVARO CONDE
ANDRÉIA FALQUETO
ÂNGELO DE AQUINO
ANTÔNIO POTEIRO
AUGUSTO HERKENHOFF
CARLOS SCLIAR
CILDO MEIRELES
CLAUDIA COLARES
DAN MENDONÇA
DIDICO
FRANZ WEISMANN
GILBERT CHAUDANNE
HILAL SAMI HILAL
HOMERO MASSENA
IOLE DE FREITAS
JOCIMAR NALESSO
JOSÉ ROBERTO AGUILAR
MARIA BONOMI
LANDO
LEVINO FÂNZERES
LINCOLN GUIMARÃE DIAS
LUCIANO BOI
PAULO BRUSCKY
PITÁGORAS LOPES
PROZAK
REGINA CHULAM
REGINA SILVEIRA
RICK RODRIGUES
ROSANA PASTE
SANDRO NOVAES
SANTE SCALDAFERRI
TOM BOECHAT
TOMIE OHTAKE
VIVA VILAR
WALTÉRCIO CALDAS
WESLEY DUKE LEE
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